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O que é um fotolivro? Muito mais do que fotografias dentro de um livro

Nem todos os livros com fotografias são photobooks. Num fotolivro, as imagens não são simplesmente reunidas entre duas capas: são editadas, sequenciadas e colocadas em relação com o design, o texto e a própria materialidade do objeto. O livro torna-se, assim, parte da obra.

Então, o que é um fotolivro?

A resposta parece simples até tentarmos formulá-la. Um catálogo de exposição pode conter dezenas de fotografias. Uma monografia pode reunir o trabalho de um autor ao longo de vários anos. Um álbum pode organizar imagens de uma viagem ou de uma família. Todos são livros com fotografias, mas isso não faz deles necessariamente photobooks.

No fotolivro, o livro não funciona apenas como suporte para apresentar imagens que poderiam ser vistas da mesma maneira numa parede ou num ecrã. É o próprio objeto editorial que organiza a experiência do trabalho.

Que fotografia encontramos primeiro? O que acontece quando viramos a página? Que imagens se confrontam? Onde surge um vazio? Quando aparece um texto? Quanto tempo permanecemos numa sequência antes de ela ser interrompida?

Estas decisões fazem parte da construção da obra.

Editar não é apenas escolher as melhores fotografias

Uma das primeiras etapas na construção de um fotolivro é a edição.

E editar não significa necessariamente selecionar as imagens individualmente mais fortes. Uma fotografia extraordinária pode não ter lugar num determinado livro; outra, aparentemente secundária quando vista isoladamente, pode tornar-se fundamental pela relação que estabelece com a imagem anterior ou seguinte.

O que importa é perceber o que cada fotografia faz dentro do conjunto.

Selecionar, retirar, aproximar e afastar imagens permite construir ritmos, estabelecer recorrências, produzir ruturas e criar relações que não existiam necessariamente no momento em que as fotografias foram realizadas.

O projeto começa, assim, a deixar de ser apenas um conjunto de imagens para adquirir uma estrutura.

A sequência também produz significado

Ao contrário de uma exposição, onde o visitante pode frequentemente escolher o seu percurso, o livro estabelece uma relação muito particular com o tempo.

Há uma capa. Uma entrada. Uma sucessão de páginas. Há imagens que vemos isoladamente e outras que aparecem simultaneamente. Há páginas que podemos atravessar rapidamente e outras que nos obrigam a parar.

E há um gesto fundamental: virar a página.

Aquilo que ainda não vemos pode ser tão importante como aquilo que está diante de nós. Uma imagem pode preparar a seguinte, contradizê-la ou alterar retroativamente a forma como entendemos aquilo que acabámos de ver.

Construir um fotolivro é também trabalhar com essa temporalidade.

Formato, papel e encadernação não são acabamentos

Há outro momento em que um projeto muda profundamente: quando deixa o ecrã e começa a existir fisicamente.

Um livro pequeno obriga a uma relação íntima e próxima. Um formato maior modifica a relação entre imagem, corpo e espaço. Um papel absorvente produz uma fotografia diferente de um papel revestido. Uma encadernação pode permitir que as páginas abram completamente ou condicionar aquilo que desaparece junto à lombada.

Mesmo o peso do livro, a textura da capa ou a resistência de uma página interferem na experiência.

Por isso, design, papel, impressão, formato e encadernação não são decisões decorativas tomadas depois de o trabalho estar concluído. Fazem parte da maneira como o projeto constrói significado.

E o texto?

Também não existe uma regra.

Há fotolivros praticamente sem palavras e outros nos quais fotografia e texto são inseparáveis. Um texto pode contextualizar, introduzir outra voz, contrariar aquilo que vemos ou funcionar como mais um elemento visual dentro da página.

O importante é perceber por que razão está ali.

O mesmo vale para títulos, legendas, documentos de arquivo, reproduções, páginas em branco ou outros materiais. Num fotolivro, cada elemento deve ser pensado em relação com o conjunto.

O dummy: quando o livro começa realmente a existir

É por isso que uma das etapas fundamentais do processo é a construção de um dummy, uma maqueta física que permite experimentar o livro antes da produção definitiva.

Imprimir, cortar, dobrar, colar, coser, retirar páginas e voltar a colocá-las noutra posição permite descobrir problemas e possibilidades que dificilmente aparecem num ficheiro digital.

O dummy não serve apenas para mostrar a uma editora como será o livro. É, antes de tudo, uma ferramenta de pensamento e experimentação.

É nele que conseguimos perceber se a sequência funciona, se o formato é adequado, se determinada imagem precisa de outra escala ou se aquele papel que parecia perfeito afinal não pertence ao projeto.

E raramente existe apenas um. Fazer um fotolivro implica testar, falhar, desmontar e voltar a construir.

Um livro também se fotografa com as mãos

Talvez seja essa uma das características mais interessantes do fotolivro contemporâneo: a fotografia deixa de ser apenas uma imagem que se observa para passar a integrar um objeto que seguramos, abrimos, percorremos e fechamos.

O leitor determina o ritmo, mas o autor constrói as condições dessa experiência.

Pensar um fotolivro significa, por isso, pensar simultaneamente fotografia, edição, narrativa, design e objeto.

É precisamente a partir dessa abordagem que o IPCI criou o novo Curso de Fotolivro, uma formação presencial de 78 horas que acompanha o desenvolvimento de um projeto desde a edição e sequenciação das imagens até ao design editorial, produção gráfica, encadernação e construção do dummy.

A primeira edição começa em março de 2027, no Porto.

 

→ Conhece o programa do Curso de Fotolivro do IPCI.

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