Exposição Workshop de Fotografia de Retrato

Dia 22 de Junho às 20:30, entrada livre

No próximo dia 22 de Junho, inauguramos a exposição do  Workshop de Fotografia de Retrato.

“Um retrato! O que poderia ser mais simples e mais complexo, mais óbvio e mais profundo.
-Charles Baudelaire
Existem muitas formas de definir o retrato. Podemos simplificar, dizendo que um retrato é a
representação de um indivíduo, na sua atitude, na sua personalidade. É simultaneamente a
materialização de uma ideia/conceito que o fotógrafo tem sobre o sujeito fotografado.
Num retrato pode haver muito mais do que uma replicação das características físicas do sujeito. No
retrato, tal como em qualquer outro género fotográfico, devem caber várias camadas de leitura, que
vão além do registo da imagem física. Devem surgir outras dimensões de interpretação, muitas
vezes aquilo que alguns autores chamam de essência intangível dos retratos. os pensamentos as
circunstâncias históricas, sociais, do espaço emocional apresentado.
Ao longo da evolução da fotografia verificamos que o retrato tem servido muitos propósitos, entre
os quais o de mostrar o poder, a importância, a beleza, a riqueza, o virtuosismo, entre outras
qualidades do sujeito fotografado. Isto aconteceu sobretudo no passado. Principalmente no início
da fotografia, quando os fotógrafos tentavam recriar a pintura, nas poses, nos cenários, na escolha
de objectos circundantes, nas expressões. Os retratos serviram de veiculo para enquadrar os
fotografados na sociedade, de os fazer pertencer a um contexto, eram uma forma de
reconhecimento e afirmação.
Já no século XX, a fotografia começou a acompanhar a evolução cultural e a integrar-se no campo
das artes. Passou ser reconhecida como disciplina artística autónoma. Introduzindo uma mudança
decisiva na longa tradição do retrato, uma transformação que continua a acontecer ainda hoje.
Autores como Philip-Lorca diCorcia, Rineke Dijkstra ou Laura Pannack revolucionaram a fotografia,
nomeadamente na sua disciplina de retrato. Reapropriaram práticas antigas e abraçaram práticas
novas. A dimensão emocional assumiu uma força crescente. Temos hoje imagens que apresentam
desde cenas encenadas cheias de tensão psicológica até retratos documentais feitos a partir de um
universo próximo. A multiplicidade de abordagens revela um desejo de explorar os limites do meio
da fotografia e do género do retrato, quer na forma como a imagem se constitui até a forma como é
apreendida pelo espectador.
Nesta demanda, criar um bom retrato tem muito que ver com a capacidade do fotógrafo
estabelecer uma relação com o sujeito fotografado. O momento em que alguém se entrega perante
o fotógrafo, a ponto de se tornar transparente e penetrável é uma conquista que se consegue com o
tempo. No entanto é algo efémero, que pode durar um minuto. É neste pressuposto que o retrato
assenta. A relação estabelecida entre o fotógrafo e o fotografado, nível de proximidade a que se
consegue chegar e a sensibilidade e capacidade para perceber o outro nas suas forças e
vulnerabilidades.

09/06/2017

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